Entidades de Rondônia acionam a Justiça para exigir medidas de proteção de crianças e adolescentes no Discord

A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital motivou uma ação civil pública ajuizada pelo Instituto Escudo Coletivo e pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Maria dos Anjos (CEDECA/RO) contra a plataforma Discord. O processo foi protocolado na quinta-feira (27), na Vara de Proteção à Infância e Juventude da Comarca de Porto Velho.

As entidades sustentam que o atual funcionamento da plataforma apresenta vulnerabilidades relacionadas à verificação de idade por simples autodeclaração, ao contato entre menores e pessoas desconhecidas, à exposição a conteúdos sensíveis e à predominância de mecanismos reativos de moderação, geralmente acionados apenas após denúncias dos usuários.

A ação cita, como contexto da realidade rondoniense, a Operação Ciber Querubins I, deflagrada pela Polícia Civil de Rondônia em 16 de junho, destacando que crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes também ocorrem no ambiente digital. As organizações ressaltam, porém, que a operação não possui relação direta com o Discord.

Medidas solicitadas

Entre os principais pedidos apresentados à Justiça estão:

  • implementação de um sistema confiável de verificação de idade;

  • configuração automática de proteção máxima para contas de menores;

  • bloqueio de contatos de usuários desconhecidos;

  • vinculação de contas de adolescentes de até 16 anos a um responsável legal;

  • criação de um canal prioritário para situações de risco, com resposta emergencial e comunicação às autoridades;

  • remoção ágil de conteúdos relacionados ao abuso e à exploração sexual infantojuvenil.

Além das medidas estruturais, as entidades requerem indenização por dano moral coletivo, com destinação dos recursos ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Proteção desde a concepção do serviço

Segundo as organizações, a segurança de crianças e adolescentes não pode depender exclusivamente da iniciativa dos usuários ou de seus responsáveis. A ação defende a adoção do princípio conhecido internacionalmente como safety by design, que prevê a incorporação de mecanismos de proteção na própria arquitetura dos serviços digitais.

O Instituto Escudo Coletivo é uma organização da sociedade civil sediada em Porto Velho, dedicada à defesa de interesses coletivos, consumidores e pessoas em situação de vulnerabilidade. Já o CEDECA/RO atua desde 1993 em Rondônia na proteção jurídico-social, incidência em políticas públicas e enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes.

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Jornalista responsável: Ananda Carvalho [DRT – 1702]
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