“Sortudas” é como Anacelia e Fabíola, de Porto Velho, se definem ao se tornarem mães do pequeno Anthony Ravi por meio da adoção. O casal esperou cerca de dois anos para entrar na fila da adoção e seis meses para chamar o bebê de filho e ter o nome das duas no registro.
Durante o processo, elas precisaram rever expectativas e enfrentar preconceitos relacionados à adoção por um casal homoafetivo e à decisão de acolher uma criança fora do perfil inicialmente mais procurado.
O Ravi é autista e precisa de bastante apoio no dia a dia. Ele também tem perda de audição em um dos ouvidos e plagiocefalia. Para o casal, os diagnósticos não foram um impedimento para a adoção. Pelo contrário, elas dizem acreditar que foram escolhidas pelo menino.
“Ele que nos escolheu para ser mãe dele. Com ele, estamos aprendendo muitas coisas boas. Todos os dias ele nos ensina a viver”, conta Fabíola.
crianças e adolescentes que aguardavam adoção, segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Desse total, 52,9% eram do sexo feminino e 47,1%, do masculino. Pessoas pardas representaram a maioria dos registros.
A ligação que mudou tudo
Depois de passarem pela preparação e serem consideradas aptas à adoção, Anacelia e Fabíola estavam abertas à possibilidade de acolher uma criança fora do perfil inicialmente idealizado. O maior desejo das duas era se tornarem mães e terem um filho nos braços para cuidar e amar.
“Tínhamos isso no nosso coração, pois, para nós, o que importa é que queríamos ser mães e ter o nosso filho nos nossos braços. Então, ter um filho com algum diagnóstico de saúde não seria nenhum obstáculo na nossa vida”, diz Anacelia .
Em maio, após cerca de dois anos e seis meses de espera e preparação, a equipe técnica entrou em contato com o casal para informar que havia uma criança. Segundo elas, a ligação aconteceu em uma sexta-feira, e as duas tiveram até a segunda-feira seguinte para pensar na decisão, embora já soubessem o que queriam.
“Nosso coração foi a mil, mas tínhamos certeza do que queríamos, sem dúvida. Já falamos que queríamos com toda a certeza, na mesma hora. Mas elas falaram que nós teríamos que pensar. Então, isso foi na sexta-feira e tivemos até segunda para poder pensar. Claro que nossa resposta foi sim”, relata Anacelia.
A chegada de Ravi e as pequenas conquistas
Depois da aproximação e dos procedimentos necessários, o casal recebeu a guarda provisória de Ravi. Na primeira noite na nova casa, o bebê dormiu a noite toda, sem estranhar o ambiente. As mães, por outro lado, passaram a noite acordadas, admirando o filho.
