Amigas que lutavam contra a leucemia morrem no mesmo dia com uma hora de diferença em Rondônia

Depois de perder vários colegas durante o tratamento contra o câncer, Lara Gabriela decidiu que não criaria mais vínculos no hospital. Mas ela não conseguiu resistir ao jeito carismático e acolhedor de Maria Eduarda. As duas se tornaram melhores amigas, compartilhando as dores e as vitórias da luta contra a leucemia por anos. Nesta semana, as meninas passaram os últimos momentos de vida no mesmo hospital e partiram com cerca de uma hora de diferença.

A amizade começou no Hospital do Amor, em Porto Velho. Lara foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda aos 12 anos, em 2021, e já enfrentava a doença há mais tempo quando conheceu Duda, que veio de Cacoal (RO) com a mãe para fazer o tratamento da mesma doença.

“A Duda foi devagarzinho conquistando a Lara, destravando esse bloqueio que a Lara tinha colocado nela mesma e simplesmente viraram melhores amigas. Uma apoiando a outra, uma sofrendo pela outra”, relembra o pai de Lara, Guilherme Vlaxio.

As duas criaram um vínculo muito forte, que ultrapassou as paredes do hospital. Além de dividir a rotina de consultas, internações e exames, uma começou a fazer parte da vida da outra, comemorando aniversários juntas e compartilhando os finais de semana.

Quando Lara comemorou a última sessão de quimioterapia, em maio de 2024, Duda estava ao lado da amiga. Em 2026, foi a vez de Maria Eduarda encerrar o tratamento, com Lara retribuindo o apoio que recebeu.

Duda só não sabia que, naquele período, os médicos já investigavam um possível retorno da doença em Lara Gabriela. Mesmo após a confirmação do diagnóstico, Lara pediu que ninguém comentasse nada com a amiga para não atrapalhar um exame importante que ela faria naquele mesmo dia.

“De início foi muito pesado para ela, ela chorou, mas chorou assim, dois minutos. Engoliu o choro, aí falou assim: ‘doutora, eu não quero que a Duda me veja assim, porque ela vai fazer um exame importante, e ela não pode falhar nesse exame importante'”, comenta Guilherme Vlaxio.

No dia 22 de abril, Lara retomou o tratamento contra a leucemia. Pouco mais de uma semana depois, Duda também foi internada após passar mal. Por causa da baixa imunidade, as duas não puderam se encontrar, mas mantinham contato por videochamadas e fizeram uma promessa: quando estivessem melhor, caminhariam juntas pelo corredor para fofocar e “botar as histórias em dia”.

Porém, pouco tempo depois, Duda apresentou uma piora no quadro de saúde e foi encaminhada para a UTI. Lara também precisou ser transferida na sequência. As duas foram entubadas no domingo (10) e morreram na segunda-feira (11), com cerca de uma hora de diferença, segundo Guilherme Vlaxio.

A mãe de Duda, Berenice Ramos, usou as redes sociais para contar que o câncer da filha acabou voltando e se espalhou para o cérebro. Na segunda-feira, os médicos declaram morte cerebral.

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Jornalista responsável: Ananda Carvalho [DRT – 1702]
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